Pedro Braga valoriza as possibilidades de interação em produtos que nos fazem pensar

A matéria “O design e  seu poder  de comunicação”, foi elaborada pela Canteiro e publicada na edição 8ª edição da revista iDeia Design (www.revistaideia.com).

As formas suaves da bandeja “Pão de Açúcar” representam as montanhas do Rio de Janeiro. O desenho minimalista da mesa de jantar “Gestalt” é capaz de unir o design estético ao reflexivo. O designer Pedro Braga (RJ) busca, em suas criações, estabelecer uma comunicação com o usuário. Para ele, um ponto importante é transcender a função e agregar valor intelectual aos objetos. Valor esse que pode acontecer a partir de uma brincadeira com a estética do produto, ou até mesmo envolver o seu uso.

o-design-e-seu-poder-de-comunicacao-2Pazzo Gula | Fotos: Estúdio Berinjela

Ele exemplifica essa relação por meio do “Pazzo”, um dosador de espaguete que criou no formato de um rosto humano, no qual a “boca” é o espaço para selecionar a porção necessária para o preparo do alimento. Segundo ele, essa é a parte que representa a estética do objeto. O usuário mede a quantidade necessária atravessando a massa por essa boca, que possui diâmetro equivalente à medida da porção, ou seja, sua função. “Nessa tarefa, o produto cria a comunicação, já que, para o usuário, ao preparar sua comida, ele também estará “alimentando” o dosador (reflexão). Ele ainda possui imãs na parte de trás para ser fixado na porta da geladeira, reforçando a ideia de fetiche do objeto. De ele estar presente no ambiente da cozinha e contribuir para torná-lo mais divertido e envolvente, passa a ser uma peça de decoração”, explica.

Pedro Braga possui formação em Desenho Industrial pela PUC-RJ e iniciou sua carreira trabalhando com o designer Marcelo Lobo, na LB2 Design. Em 2011, lançou a “Pedro Braga Design”, sua marca autoral. O interesse em trabalhar com design veio cedo. “Sempre tive muito contato com o desenho e a arte, desde pequeno, principalmente em casa, com meu pai. Ele gostava de arte, pintava quadros, construía lindas maquetes de trem, possuía vários hobbies artísticos.”

Sua escolha pelo design de produtos ocorreu ao longo da faculdade, principalmente pela percepção do quanto um produto pode impactar a vida das pessoas e da sociedade.

“Quem nunca na vida viu um objeto passando na rua, ou numa revista de decoração, e simplesmente falou para si mesmo: eu preciso desse produto na minha sala? Nesse momento já temos o design emocional se manifestando através da estética, ocorre um fetiche provocado pelo objeto”, afirma.

o-design-e-seu-poder-de-comunicacao-3Pazzo Gula | Fotos: Estúdio Berinjela

Mas, para ele, o design emocional pode ir além e provocar reflexões e novos pensamentos, a partir da forma ou da estética. “Ele diz respeito a todos os aspectos em como o produto irá se relacionar com o usuário, a interação entre eles. Como irá trabalhar a forma e a estética, e responder à sua função e usabilidade. Essa interação entre ambos pode ser uma relação mais comportamental, puramente estética, ou pode provocar uma reflexão ao usuário. Nesse último caso, ela é mais emotiva e envolve o intelecto.”

Braga faz parte da nova geração de profissionais da chamada “Indústria Paralela” e opta por uma produção com baixo impacto ambiental e geração de resíduos. São profissionais que possuem o conhecimento produtivo necessário para concretizar suas ideias, o que resulta num modelo econômico de produção mais dinâmico, que aproxima a indústria e o designer. Um exemplo é a metodologia de criação norteada pela produção autoral em pequena escala. “Para isso, utilizo processos produtivos automatizados, a partir da tecnologia CNC (Controle Numérico Computorizado), que dispensa moldes, altas tiragens e investimentos exorbitantes. Como consequência, os produtos oferecem uma logística simples e barata para o transporte e estoque”, destaca.

“Os processos estão se tornando mais automatizados e menos custosos. Estão mais acessíveis aos designers contemporâneos e isso gera produtos bem acabados, com linha de produção menor e mais pulverizada entre vários artistas. A indústria também está trabalhando mais o design dentro de suas linhas de produção”, diz. Segundo Braga, o mercado brasileiro vem começando, aos poucos, a consumir e absorver mais o design em suas casas, havendo uma oportunidade interessante a ser trabalhada. “Ao mesmo tempo, estou vendo os designers mais comunicativos, mais unidos, compartilhando experiências e conhecimentos e isso tem sido muito bom para o fortalecimento da profissão e sua consolidação no Brasil. O cenário futuro promete ser interessante”, destaca.

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