Stefano Giovannoni traduz o sentimento humano em objetos que se tornaram ícones.

A matéria “O designer mais popular dos últimos tempos”, foi elaborada pela Canteiro e publicada na edição 8ª edição da revista iDeia Design (www.revistaideia.com).

Entro no shopping em direção ao supermercado para comprar uma cadeira. Logo, meus olhos são levados para um modelo colorido e me sinto em sintonia com o futuro com aquele objeto estético e sedutor. Quem nunca foi fisgado por esse produto? Criado por um dos ícones do design no mundo, o italiano Stefano Giovannoni, o Bombo Stool mudou a ideia sobre como um banco pode se transformar. Nesse e em tantos outros projetos, Giovannoni conseguiu fazer a ponte entre a concepção elitista e o design para o mercado de massa.

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Stefano Giovannoni | Foto: divulgação

Arquiteto, industrial e designer de interiores nascido em La Spezia (1954), Giovannoni formou-se na Facoltà di Architettura de Florença em 1978. Atualmente, vive e trabalha em Milão. É professor da Domus Academy, em Milão; da Università del Progetto, em Reggio Emilia e de Desenho Industrial na Università di Architettura, em Gênova. Já desenvolveu projetos para empresas como Alessi, Amore Pacific, Artsana, Bisazza, Fiat, LG Hausys, L’Oreal, Telecom, Vondom, dentre outras.

O designer cria produtos emocionais que transcendem a efêmera relação de consumo. Muitos, como as linhas Girotondo, Mami e il Bagno Alessi ainda são best-sellers, depois de mais de vinte anos no mercado. Giovannoni incorpora um complexo sistema de códigos afetivos a seus projetos e, para ele, ser designer significa compreender profundamente a sociedade e como os desejos se desenvolverão
no futuro.

Ele nos conta que sua busca sempre foi a de mudar a abordagem de design tradicional para uma nova cultura de consumo, com base no design emocional e na comunicação dos objetos com as pessoas. “O design sempre evoca sentimentos relacionados à nossa memória e imaginação. Por isso, os objetos que possuímos dizem sobre nossa identidade e cultura”, afirma.

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Barbeador Piripicchio – Alessi | Foto: Divulgação

Giovannoni tornou-se sucesso de mercado desde seu primeiro produto. “Sou bastante diferente de muitos dos meus colegas. Comecei a partir de uma declaração muito clara, quase cínica: a qualidade de um objeto é diretamente proporcional ao apelo do produto no mercado”, explica. Com essa perspectiva, o designer antecipou os desejos das pessoas em uma rica e variada produção, que passa pelo design de automóveis, de grandes e pequenos utensílios domésticos, à reformulação de espaços ou produtos eletrônicos, como celulares e smartphones.

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Paliteiro Magic Bunny – Alessi | Foto: divulgação

A partir dessa multiplidicade de linguagens, o fio condutor do trabalho de Giovannoni é a comunicação como expressão das emoções dos sujeitos sobre os objetos. “A ironia foi uma forma de expressar esse tipo de atitude, de modo que não tínhamos mais para mostrar aos nossos objetos ao invés de nós mesmos… minha intenção era democratizar o contexto de design, falando uma linguagem mais adequada para as gerações mais jovens. Alessi era uma empresa no ramo de aço e o marketing estava com medo de que o plástico pudesse criar um problema de identidade. Os Girotondo e os produtos de plástico mudaram profundamente o DNA da Alessi, com uma influência muito positiva em volume de negócios”, relata.

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Alessi – Bathroom | Foto: Divulgação

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Duster – Aspirador de pó – Alessi | Foto: divulgação

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Alessi Mary Biscuit | Foto: divulgação

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Cico – Suporte para ovo cozido e saleiro – Alessi | Foto: divulgação

Ele explica que, no passado, a relação entre o homem e os objetos era diferente. Os objetos eram símbolo de status social ou estilo. “Através do objeto que você possui, é possível entender se você é rico ou pobre, se você tem cultura ou não. Assim, minha intenção era a de desdramatizar esse tipo de relação, criando bons objetos com um sentimento direto com a gente”, completa.

Giovannoni acredita que hoje não é possível criar produtos de altíssima tecnologia com uma vida longa. Para ele, se a qualidade de um produto é a inovação, ele não permanecerá no mercado e nem se manterá atual por muito tempo. Nesses casos o que importa é o processo e a pesquisa envolvida na criação do produto. “De modo mais geral, é cada vez mais difícil ver produtos de sucesso real hoje em dia. Tecnologia tende a desmaterializar o objeto físico, transferindo, em alguns casos, o foco do projeto à interface do usuário. Muitas tipologias envelhecem após alguns meses, enquanto o calendário apertado não permite a pesquisa”, afirma.

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