“Something Good” reúne a experiência única do trabalho de artesãos no desenvolvimento de produtos com forte vínculo emocional

A matéria “O mundo em que habito”, foi elaborada pela Canteiro e publicada na edição 8ª edição da revista iDeia Design (www.revistaideia.com).

Unir designers e artesãos em novos processos de fazer design é o objetivo do “Something Good”, iniciativa de quatro amigos que decidiram fundar um novo conceito de marca. Criado em 2013, o projeto pretende destacar pequenas empresas e artesãos, que são o núcleo da qualidade italiana em produção. O projeto foi idealizado e promovido pelos designers Giorgio Biscaro, Enrica Cavarzan, Marco Zavagno e Matteo Zorzenoni, protagonistas de renome da nova geração do design da Itália, que têm em comum um profundo conhecimento sobre a diversidade de formas de produção em seu país.

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Tournée – Espelho de maquiagem | Design – Giorgio Biscaro | Foto: Something Good

Como explica o designer Giorgio Biscaro, trata-se de uma plataforma de produção e planejamento, que reúne diferentes parcerias, experiências criativas e novas redes. A proposta é abrir as fronteiras do made in Italy para designers internacionais, colaborando também com as realidades dos negócios estrangeiros.

“Expandir o made in Italy não significa que queremos fechar nossa mente. Temos um profundo respeito pela cultura e estilos estrangeiros, e pretendemos, no futuro, trabalhar com designers de todas as partes do mundo, com a ideia de expandir nossas fronteiras culturais. Não é fácil colocar designers em contato com artesãos, mas é uma coisa que, sem dúvida, eu gostaria de fazer”, explica.

Biscaro acredita que o projeto possibilita superar os limites físicos dos objetos, para expressar outras informações, como o contexto que tornou possível sua existência. Segundo ele, o artesão produz objetos quentes, nos quais a mão do homem é realmente visível. O objetivo é que o Something Good torne todos esses valores visíveis, trazendo a ideia de que cada peça é única e foi feita especialmente para aquele cliente. “Os produtos que vendemos são comercialmente possíveis apenas neste tempo e neste lugar, adquirindo certo valor. Acreditamos que é por isso que as pessoas estão redescobrindo o artesanato. Ele nos lembra de um tempo em que éramos felizes e despreocupados. Assim, emancipamo-nos de elementos de instabilidade”, relata.

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Bumblebee – Lampião a óleo | Design – Giorgio Biscaro | Foto: Something Good

Para Biscaro, todos os dias somos bombardeados por informações visuais que criam uma linguagem, um conjunto completo de referências que determinam nossa concepção de bom, feio, mau, feliz, triste e assim por diante, o que ajuda na concepção de objetos próximos das pessoas. É por isso que ser emocional hoje, como explica o designer, é mais importante do que nunca. Para ele, embora não exista receita para tocar a sensibilidade das pessoas, observar as características dos produtos que se tornam ícones pode ser uma maneira de assimilar melhor os objetos.

“Não é como encontrar tendências. Essa é uma palavra fictícia que se concentra apenas no aspecto visual das coisas. E escolher a cor apropriada, forma, tipologia, pode fazer um objeto mais ou menos perto da expectativa de um determinado usuário. Nesses termos, pensamos que um designer deve conhecer muito bem o mundo em que habita”, completa.

Concepção dos produtos

Giorgio Biscaro ressalta que as relações entre designers, empresas e produtores se tornaram fortes na Itália ao longo dos anos, desde o pós-guerra até os dias atuais. Para ele, essa forma de abordar a produção ainda é insuperável. “A Itália construiu sua economia em torno da alta qualidade do artesanato italiano. O que o país não tem é a capacidade de comunicar o valor desses ofícios, mas temos esperança de que podemos preencher essa lacuna, fazendo uma forte comunicação de como as coisas são produzidas e concebidas”.

O modelo de produção do Something Good respeita o ritmo de trabalho dos artesãos, com um volume de venda equilibrado e prorrogável por demanda. Ao mesmo tempo, a distribuição on-line permite a redução dos custos, resultando num preço acessível para o produto final. O projeto reinventa o processo industrial do design tradicional e se posiciona no cruzamento entre as empresas tradicionais, as galerias de arte e as lojas de design, abrindo novas oportunidades de desenvolvimento para os fornecedores locais, bem como uma experiência mais ampla de marketing global.

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Zebra – Porta documentos | Design – Matteo Zorzenoni | Foto: Something Good

Esse novo padrão contribuiu para quebrar as fronteiras entre projetualidade, comunicação e distribuição, unindo tudo em um processo coeso. Além disso, permite traçar uma diretriz que combina o amor pelo detalhe, as normas de fabricação de alta qualidade e a sustentabilidade da produção de uma forma global.

Biscaro explica que, como optaram por trabalhar com artesãos, não seria possível aplicar a lógica habitual de mercado, pois o preço se tornaria alto, e a ideia era que os produtos fossem os mais acessíveis possíveis. “Por isso, trabalhamos em pequenos lotes, encontrando acordos com nossos produtores para fazer todo mundo feliz e criar uma economia sustentável. Sustentabilidade não é apenas o uso de materiais reciclados ou de redução do consumo, mas também produzir a quantidade correta de mercadorias. Confiamos profundamente nisso”, completa.

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